A vida ao contrário

30.12.12
Acho que já sei o quero para 2013: estrumar menos a minha existência (calma, a metáfora é melhor do que o que parece e, além disso, aqui no campo rodeada de vacas, não tenho como virar-lhe as costas). Não posso continuar nesta enxurrada de merdas. Um bocado de merda de quando em vez está muito bem, diz que nos torna pessoas mais intensas, mais interessantes, mas tanta merda não pode ser.
É que assim vejo tudo ao contrário:
os putos não comem e estão birrentos de sono. Estou no Avesso a beber um chá do outro mundo, numa esplanada maravilhosa, mas

não consigo apreciá-la convenientemente. Estou no Museu Serralves, a exposição do Julião Sarmento parece muito interessante, mas

e enquanto os rapazes estão a dormir no carro acho que não tenho assunto, quando acordam afinal tinha umas quantas coisas para discutir, mas não posso com eles ali sempre a interromper. Vou ao Maria Dentada, almoçar com umas amigas, um sítio muito simpático,

eu saio de lá com o rasto de destruição que eles lhe deixaram, na sala e no quarto da Carolina, na cabeça. Visito a quinta de uma amiga, que nos convidou para almoçar e que tem uma casa em pedra a nascer numa paisagem deslumbrante e

temos pressa, os pequenos têm sono e dores de garganta. Na casa recém-recuperada de uns amigos, a mais bonita onde alguma vez já estive e que vem substituir a outra, palco de tantas conversas, festas e momentos bem passados,

a discutir ideias e estratégias comigo ridiculamente apática. Percorremos quilómetros de estrada, em horas de sesta, à procura de parceiros e fornecedores para a Oporto Lobers

Vai-se a ver e toda eu sou optimismo 2

23.12.12
Pode parecer mentira, tendo em conta não só a apresentação do blog ali no canto esquerdo como a prosa que habitualmente venho aqui depositar, mas eu nunca me tinha apercebido que esta coisa de se ter um diário, a modos que intimo, pode ser efectivamente terapêutico.
E a prova disso mesmo é eu ter estado convencida que o segundo semestre do ano tinha tido muitos mais apontamentos negativos do que positivos e verificar que isso não só se revelou uma falsidade como parece que tive uns meses muito mais ricos em acontecimentos do que me lembrava.
Ora vejamos:

Coisas Boas
- Menção honrosa no Prémio Mãe Blogger
- Fazer este xaile para oferecer a uma amiga e ela comentar (sem saber que era para ela) que o adorava
- Livrar-me do chip anti gravidez
- Passeios pelo Minho
- Fim-de-semana em Peniche
- Aniversário do Isaac
- Manifestação do 15 de Setembro
- A estreia do Nicolau na creche
- Mudar de casa
- Fim-de-semana com amigas, dança, literatura e copos
- O nascimento do mais novo

Coisas menos Boas
- Prémio Novos Talentos FNAC Literatura
- Rachei a cabeça
- Reacção alérgica
- Viagem do Jaime a Timor
- Mudar de casa
- Audição da Beatriz.

P.S Um Feliz Natal para todos

Defeitos

19.12.12
Não sei se é por estar num momento particularmente difícil da minha vida, ou melhor, da minha vida não, que a minha vida é muito boa, estou, isso sim, num momento particularmente difícil da minha existência. E não sei se é por isso que dou por mim a pensar nos meus maiores defeitos.  É um exercício tramado, porque conseguimos sempre arranjar forma de ir arrumando defeitos que ao fim e ao cabo, pensamos nós, até nem temos. Quando não estão arrumados, ficam à vista de todos:

Mal agradecida
Preguiçosa
Cobarde 
Cobarde
Cobarde
Cobarde

Estou farta do Natal

18.12.12
Porque o Natal é como a humidade desta casa (acho que estou a criar fungos nos pulmões), tolhe o ambiente e faz-me perder a noção do tempo e do espaço. Este ano, por exemplo, tenho muitas vezes 12 ou 13 anos e estou a subir a rua com um guarda-chuva, a fazer o jogo de sempre: se o próximo carro for branco a minha mãe vai estar num dia bom.

O fim do mundo

16.12.12
A propósito do fim do mundo que se aproxima lembrei-me deste filme (por acaso lembro-me muitas vezes deste filme e do Willem Dafoe, sobretudo do Willem Dafoe) tão perturbador quanto sereno, porque o mundo vai acabar, pronto, e não há nada a fazer.
Na verdade o mundo acaba todos os dias para muitas pessoas. Na verdade o mundo tem os dias contados para todas as outras pessoas. E, na verdade, há também quem tenha data marcada para morrer. O que ainda não aconteceu, que se saiba, é morrermos todos ao mesmo tempo e sabermos que vamos morrer todos ao mesmo tempo.
No fim do mundo de Ferrara não há nenhuma pista sobre se alguém tenta sobreviver à catástrofe ambiental que destruirá o planeta Terra (do género, colocar uns quantos espécimes humanos numa nave espacial, ou assim, como fez Noé com a arca), mas eu duvido que uma coisa desse tipo não esteja prevista para uma eventualidade. Ora, nesse caso, e partindo do princípio que a Europa conte para alguma coisa, imaginemos que decidiriam salvar da catástrofe os dirigentes máximos de cada um dos países, afinal eles são os representantes do povo. Pois, já estão a tremer, certo?
Quando forem votar numas próxima eleições (que é uma coisa que também não deve demorar muito a desaparecer, porque a democracia, bom, tem este defeito de fazer acreditar que podemos ser todos ricos e tirar cursos superiores) pensem nisso, que portugueses gostariam que fossem salvos de uma catástrofe que vai destruir o planeta. Talvez assim, os nossos próximos dirigentes sejam seres humanos dignos desse nome.

Dentro do roupeiro

14.12.12
Lembram-se deste papel de parede, da segunda casa? Pois bem, o que sobrou serviu para forrar o roupeiro da quarta casa.
E o roupeiro está com as portas abertas no sítio novo da Divine Shape.

No dia-a-dia

14.12.12
O Nicolau sempre que vê uma foto do Jaime no computador começa a gritar "pai" e a acenar, como se estivéssemos no Skype.

O Isaac só diz certas palavras em "brasileiro", corrigindo-nos sempre que as dizemos em "português" e como tem estado doentxi, esta está a ser uma semana muito poliglota.

Saí para almoçar sozinha, num acesso libertário, depois de ter mandado sms ao pai dos rapazes a dizer que eles estavam à espera de ir almoçar com ele a algum sítio, uma vez que a mãe se tinha recusado a cozinhar, e verifiquei que menti à minha filha: As pessoas negam comida a quem pede. Eu sei que há a sopa dos pobres, mas a sério que há quem consiga não pagar uma sopa a um sem abrigo creditado (para vender a "Cais", acho que é preciso ter "carta" de sem abrigo)? Pelos vistos sim, e não é uma, nem são duas, ou meia dúzia de pessoas. E, sinceramente, ainda bem para elas, que não se comovem com o discurso da caridade, mas como é que se vira costas a alguém que quer uma sopa? (Eu sei, estou aqui, estou a substituir a Isabel Jonet)

O Jaime perguntou porque é que, afinal, tínhamos gatos e eu, sem saber muito bem o que dizer (até porque sou muito mais pessoa de cães) respondi que temos gatos pela mesma razão que temos filhos, ou seja, não há uma explicação.

Já agora

13.12.12
Outra coisa que dava jeito, na vida que eu quero, era poder beber como a malta das séries e, além de não engordar ou sofrer do fígado, ser capaz de fazer cirurgias com técnicas únicas que salvam vidas, ou gerir empresas familiares com um volume de negócios considerável.

Cair e levantar

11.12.12
Ela sentou-se, posicionou a pauta e eu soube que alguma coisa estava mal. Demorou mais tempo de que o costume a começar a tocar. Eu disse mentalmente "tu és capaz" e ela começou. A meio do Minueto enganou-se, parou, recomeçou, parou, silêncio...um silêncio de chumbo, recomeçou, parou...silêncio, silêncio, silêncio... vi o chão desaparecer debaixo dela, vi o horror que sentia. Disse mentalmente "tu és capaz". Não foi. Começou a chorar. Silêncio, silêncio, silêncio...um silêncio de chumbo. Não se levantou. Não sabia o que fazer. Eu disse mentalmente "não faz mal filha, não faz mal filha". O professor levantou-se e foi-lhe dizer para se ir sentar. A audição continuou com os alunos que ainda não tinham tocado.
No fim, os dois professores de órgão disseram-lhe para não ficar triste que uma audição correr mal acontece a todos os músicos e vários pais e colegas dela consolaram-na, mas foi só quando me olhou nos olhos e se aninhou nos meus braços que sossegou. E, pela primeira vez, desde que entrou no Conservatório, eu tive a certeza de que a Beatriz é uma artista.
E se eu a ensinei a levantar-se depois de uma queda, também hei-de ser capaz de fazer o mesmo. Quero que se foda a luz ao fundo do túnel. Vou mas é acender uma lâmpada.

No reino dos pais&filhos (e avós&netos)

10.12.12



Pois que lá fomos, a Óbidos, a ouvir The Kills no carro, e ai que pais tão cool que nós somos, até chegarmos à Vila Natal e começarmos a bufar passados cinco minutos. Ou é porque um queria fazer xixi e é preciso segurar no outro no momento em que estão a entregar as sopas; ou porque o outro caga mais uma vez e as toalhitas ficaram no carro; ou a outra que quer andar de patins, mas não sabe a que horas, porque também há as marionetas; ou porque temos de correr muito para o escorrega senão os gajos não se calam.
E depois, à minha volta só via pais felizes e calmos sem aquele ar normal de estás-aqui-estás-a-levar-no-focinho. Felizes ainda estou como o outro, mas calmos??? Bom, nós também tivemos os nossos momentos família feliz e relaxada, o que me faz pensar que provavelmente cruzei-me com todos esses momentos nos outros, mas, dizia, tivemos os nossos bons momentos e descobrir bombocas à venda foi um deles. Eu não vou dizer quantas comi, mas posso adiantar que foram mais do que três.

As coisas que a comida me lembra

8.12.12
Daqui a pouco vou comer uma francesinha, feita pelo Jaime, e lembrei-me da última que comi, foi na noite em que rachei a cabeça. E ontem a comida foi goesa, em boa companhia, como no último jantar goês, mas dessa vez acabei a noite num bar de lésbicas. Não, depois disso ainda fomos comer uma bifana ao mercado da Ribeira.
A comida, às vezes, tem um efeito estranho no meu organismo.

P.S Eu disse que tinha três presépios? Pois já só tenho dois.

Perguntas que eu gostava mesmo de saber a resposta

7.12.12
Será que o leite de soja alimenta/reconforta? Se sim, porque raio precisa o Nicolau de beber quase um litro dele durante a noite (em quatro ou cinco biberões)?

Então, o Natal

6.12.12



 O Isaac acha que é assim que devem estar os presépios* 

Estava aqui a comer uma fatia de pão torrado com manteiga e doce de framboesa a ouvir a Nostalgia e a chuva lá fora e a pensar que isto de se trabalhar em casa não é assim tão mau, não senhora. Houvesse trabalho não inventado e isto, então, é que era. Ainda por cima passou aquela canção de Natal, que me põe quase a acreditar no Natal (tanto como a dos Wham me põe a cantar com uma expressão ridícula e tudo) e apeteceu-me vir aqui num instante (decidi aplicar a mim própria uma ordem de restrição de aproximação ao computador) mostrar a nossa árvore e o presépio e tal, antes que volte a achar que é uma coisa assim para o pirosa e desnecessária.

*Sim, tenho três. Houve uma altura em que achava que ia coleccionar presépios de todo o mundo (enfim , podia ter-me dado para pior e, pensado bem, se calhar já deu), mas o único estrangeiro é o mexicano e foi comprado no Nortshoping.

Em abono da verdade

4.12.12
Devo dizer que a minha mãe é uma pessoa insuportável. É uma mulher fora de série, que é, mas é insuportável e, apesar de muita gente dizer que somos parecidas, eu quero ser uma mãe muito diferente do que ela foi para mim, o que não deverá ser difícil, visto eu ter meios que ela nunca teve. E no entanto, é incrível como as coisas se repetem...
Próximo passo: viver mais como uma pessoa (sim, é um post de Junho, mas a minha memória tem destas coisas). Não sei a partir de quando o deixei de fazer.

E depois

3.12.12
olho para esta foto (a minha mãe tinha 26 anos. Sete anos depois teve o quarto filho e passados dois anos ficou viúva) e sinto tanta vergonha de mim! 

Juízo

3.12.12
Normalmente sou a última a ir para cama (e também sou a última a sair de lá quando amanhece), mas em vez de aproveitar o tempo sozinha, ultimamente, estupidifico em frente à televisão, que nem sempre tem de estar ligada. Eu prefiro que esteja, porque quando não está tenho momentos de lucidez avassaladores e isso nem sempre é bom. Ontem à noite, ou aos primeiros minutos de hoje, por exemplo, caiu em cima de mim, literalmente (eu tive de me vergar e tudo, quando senti o peso), a certeza de que não tenho estofo para ser mãe de três filhos. Senti-o tão claramente, ainda que só durante uns milésimos de segundos, que precisei de uma boa meia hora, com muita lágrima e ranho à mistura, para recuperar.
Depois, as luzes da árvore de Natal começaram a piscar, ou mudaram de cor, não sei, e eu olhei à minha volta e pensei que tenho de ganhar juízo.

Drogas

1.12.12
Há coisas que não é preciso uma pessoa ser muito sensível (ou ter inteligência emocional, como é bonito dizer-se agora) para perceber que a partir de certa altura só se deve ir ao médico em caso de vida ou morte (ou, no caso das senhoras, se verificar alguma ALTERAÇÃO NA PALPAÇÃO DAS MAMAS, mas os senhores também devem estar atentos, porque o cancro da mama não é exclusivo das senhoras e, depois, há ainda os sinais e manchas estranhas e...é melhor ficar por aqui).
É que, a partir de certa idade, se vamos ao médico saber se está tudo bem, o mais certo é sair de lá com uma doença crónica. Foi o que me aconteceu ontem. Lá fui ao Dona Estefânia confirmar se era alérgica ao marisco e, apesar de os testes dizerem que não, confirmaram, sem margem para dúvidas, que sou alérgica aos ácaros do pó (ah, sim, claro, já agora posso ser alérgica à loiça por lavar e à roupa por secar e dobrar?). Até aqui tudo bem, não era assim grande novidade. A minha experiência já o tinha demonstrado, em mais do que uma ocasião, só que ainda não tinha tido "oportunidade" de pagar a um(a) alergologista para confirmar o óbvio. 
O que eu não estava à espera era de sair de lá com a notícia de que sofria de uma doença crónica e que tinha de snifar umas coisas mais não sei quê. A sério, isto deixa-me mesmo fodida, porque, supostamente, não posso beber mais do que xis copos de vinho por dia, que passo a ser alcoólica, mas posso snifar cortisona, e sei lá o que mais à vontade, que isso são medicamentos prescritos e tal e tal, e há estudos e ensaios e sabe-se que não faz mal. Sabe-se? 
É claro que não sou eu que vou questionar o conhecimento de anos de estudos, aplicados em cobaias de diferentes espécies, mas terão de me perdoar a arrogância de preferir continuar a espirrar e atacar o problema em SOS (sim, porque jamais me ouvirão reclamar contra químicos para controlar o sofrimento), do que passar a snifar cortisona, duas vezes por dia, até à próxima vaga no hospital (Junho). 
Se é para usar drogas, posso ser eu a escolhê-las?

Afinal até vou fazendo umas coisas

29.11.12


Uma meia já está. Um saco cabaz para oferecer no Natal também. E ainda uma fornada de biscoitos queimada. Não sei quantos mais terei de fazer até acertar na consistência da massa e na temperatura do forno, mas vou continuar a insistir. Ando é com pouca vontade de tricotar e costurar, mas não me parece que se note muito.

2012

29.11.12
Hoje o meu gajo constatou uma cena fantástica: desde que vivemos juntos, 2012 foi o único ano em que não estive grávida!

A vida que eu quero

28.11.12
Fotografada pelo Paulo Ricca

Um dia destes li (mentira, vi num episódio do CSI, mas como estava a ler as legendas não é totalmente falso) que há as pessoas que aceitam a vida que têm e as que procuram a vida que querem. É claro que, tratando-se de um episódio do CSI, não se aprofundou a questão, até porque aquela gente tem mais o que fazer, mas se tivessem tido tempo, acabariam por chegar à conclusão que a única premissa verdadeira é a primeira, porque as pessoas que procuram a vida que querem, também têm de aceitar a vida que têm. Procurar não é sinónimo de encontrar.
Seja como for, esse momento filosófico do CSI deixou-me a pensar na vida que eu quero. E na vida que eu quero tenho aquela barriga outra vez, mas a pesar um bocadinho mais do que os 50 kg que pesava na altura; tenho um motorista (Jaime estás proibido de vir aqui dizer que isso já tenho) e vários projectos interessantes em mãos, como escrever o argumento para o cinema deste livro; vou a todas as festas de lançamento de livros da Quetzal em que o Irmão Lúcia esteja a pôr discos; vou ver vários espectáculos de teatro e dança com as minhas amigas e a seguir vamos jantar a altas horas; Vou buscar os meninos à escola com o Jaime (se ele não puder vou com o motorista) e vamos brincar para algum sítio, como uma biblioteca, no Inverno, ou um jardim, no Verão, antes de vir para casa. O motorista também é babysitter e às vezes fica com eles para eu e o Jaime irmos sair (sim, o motorista é espectacular e está um bocado apaixonado por mim, mas depois casa-se com um gajo maravilhoso). Não sei como, temos sempre o jantar pronto e a casa arrumada (fazêmo-lo nós quase sem dar por isso); tenho uma casa com quintal, ou uma horta comunitária para cultivar legumes, ou melhor, tenho a persistência necessária para cultivar a terra, porque casa com quintal já tenho, no Porto, e já lá cultivei bastantes legumes (batatas, tomates, feijão verde, couve e cebola), por isso sei que é fácil desistir sob vários pretextos.
Na vida que eu quero acabaremos por fazer a tal road trip a Bordéus e depois muitas outras.
Ou seja, agora que penso nisso, se eu começar a escrever o argumento, a única coisa que fica a faltar para a vida que eu quero é o motorista. Ah, e a barriga, pois...Mas, quer dizer, alguém que acha mais natural começar a escrever um argumento de um livro do Amin Maalouf, do que contratar um motorista não vai perder tempo com a barriga.

P.S Não sei se já repararam que o Panados tem página no facebook. Não sei bem para que serve, mas acabarei por dar-lhe alguma utilidade. Vão lá gostar de mim, que estou carente.

É mesmo um post do Natal em Novembro

27.11.12
Um dia destes, a cantar canções de Natal, ele pergunta:
- O que é Jesus?
- Hmmm Jesus é uma pessoa muito importante, porque... hmmm... ofereceu-se para salvar muitas pessoas.
- Salvar pessoas?
- Sim, salvar pessoas de...uma tempestade muito grande.

(Espero que ele não se lembre de me perguntar O que é o Noé)

Sobre as pedras

27.11.12
esta foi a melhor coisa que li. Eu sei que já foi há algum tempo, mas hoje a minha filha disse-me que não podia vir de eléctrico para casa, porque estava prevista mais "uma manifestação violenta em frente à Assembleia, às duas da tarde"

Slow

26.11.12
O dia começou como quase todos os outros dias: muita movimentação pela casa, com a televisão ligada às 7h00 da manhã (a única pessoa que quer acabar com a televisão cá em casa é a mesma que se levanta e, antes sequer de fazer xixi, vai ligá-la), os miúdos a disputar brinquedos, a Bea a pentear o cabelo (não sei se esta casa é mesmo muito pequena, ou se de facto a escova no cabelo dela faz muito barulho) e eu de olhos fechados, debaixo dos cobertores, a dizer a mim própria é de noite, é noite, isto é um sonho, não é possível. E depois, muito devagar, começo a pensar se terei deixado a roupa deles separada, se há alguma coisa preparada para o almoço da Bea...Já aconteceu saírem de casa e eu ficar a dormir (sim, sim, o desgraçado do homem que vai trabalhar para sustentar a família, ainda tem de vestir os meninos e levá-los à escola, uma pouca vergonha!), mas não foi o caso. Hoje, os pequenos ficaram em casa a ver se recuperavam definitivamente das maleitas víricas, antes de irem recolher novas estirpes ao infectário, e a primeira coisa que pensei foi: "espero que amanhã estejam bons para ver se volto à vida normal" e logo a seguir: "espera aí, qual vida normal?"
Já passaram quase três meses desde que o Nicolau foi para a creche e eu ainda não tenho uma rotina. É verdade que mudei de casa, é verdade que eles têm estado, em média, dois dias em casa e três na escola e que toda a família esteve doente mais vezes nestes últimos meses, do que nos últimos três anos, mas claramente não é suposto demorarmos tanto tempo a chegar a algum lado. Não só perdemos a capacidade de esperar pelas coisas, como achamos anormal parar para descansar, pensar, recuperar, etc. Eu sei que já ninguém fala do movimento slow, mas tenho pena, porque me parece muito mais interessante do que a tendência minimalista de que tanto se fala.

Concerto para bebés

25.11.12
Há alguns anos, vivia eu no Porto, tentei levar a Beatriz a um concerto para bebés, mas nunca consegui. Aquilo esgotava meses antes de acontecer, parecia uma coisa para bebés de elite, e acabei por desistir de arranjar uma vaga. Não sem dar alguma luta, ao contrário do que aconteceu com as aulas de preparação do parto, por exemplo, nas quais me recusei a participar (na altura estava na moda o método Lamaze e eu sentia-me absolutamente incapaz de respirar como um cão), porque estava perfeitamente convencida que ela devia ter o máximo de experiências sensoriais possíveis. Felizmente sempre fui uma gaja intuitiva e por isso nunca lhe faltaram experiências desse tipo: dava-lhe colo e mais colo, tomávamos banho juntas, cantava-lhe dia e noite, comíamos laranjas partidas aos gomos com a casca e por aí fora, mas é claro que eu achava que isso era o básico (agora sei que isso é o mais importante) e queria que ela tivesse a oportunidade de descobrir outras coisas.

Seja como for, nunca mais pensei nesses concertos até ter sido convidada para assistir a um com os rapazes. Perguntei ao pai "que dizes?" e ele respondeu "não sei". Cocei a cabeça (depois descobri que eram piolhos) e disse que sim.
Entretanto vieram os piolhos, os vómitos e a diarreia (assim, tudo de uma vez) e estive até à última para desistir, mas não foi preciso. E ainda bem, porque foi uma experiência bem bonita ver os bebés a gatinhar e a dançar no meio dos músicos, a reagir de uma forma tão natural e fluída (os meus estavam a comer bolachas a um canto, obviamente). Ainda assim, não posso deixar de referir o que disse o mentor do projecto, Paulo Lameiro, no fim: mais importante do que levar os bebés a concertos é cantar-lhes em casa e aqui, pelo menos, posso gabar-me de ganhar muitos pontos.

Divinas excreções

24.11.12
Eu tenho um grande respeito pelos vírus, não só porque quase todos os filmes de ficção científica os responsabilizam pelo desaparecimento da maior parte da população terrestre, aí entre a última década do século XX e a primeira deste século, mas também por, ao que tudo indica, serem responsáveis pela nossa existência e por coisas bonitas, como o amor e assim.
Em última instância podemos dizer que os vírus são Deus. E Deus decidiu que a minha casa se encheria de merda líquida e vomitado por mais de três dias seguidos.

À deriva

21.11.12
Terminar os quilts que comecei este ano será um dos pontos listados, na tal lista que ainda não fiz. Este é o de Verão e já tem a parte de cima terminada. No processo espero descobrir que papel quero que este "passatempo" tenha na minha vida (é por isso que as listas não funcionam comigo. É óbvio que só daqui a 15 anos, eventualmente, poderei riscar o descobrir para que serve a costura), porque andar à deriva, aceitar o que os dias nos trazem, é para almas superiores, está visto, e não para alminhas como a minha. 

Listas

19.11.12
Não conheço ninguém que dispense as listas. Listas de compras, listas de afazeres, listas de conquistas, de prós e contras, de ementas, etc. Escrevinhar ideias/objectivos por pontos (ou asteriscos, traços, setas...) é tão natural, para a maior parte das pessoas, como respirar.
Eu adoro listas, claro, mas ganhei assim uma espécie de superstição em relação às mesmas a partir do momento em que me apercebi que bastava rabiscar uma coisa num papel para a dita não acontecer. É ridículo, claro, achar que uma coisa não acontece porque está escrita, mas eu também achava ridículas as pessoas que põe algodão nos ouvidos para não entrarem bichos durante a noite, enquanto dormem, mas depois de ter esmagado um insecto não identificado, que passeava na minha cabeça na madrugada de hoje, já não digo nada.  
Portanto, agora estou num dilema, porque preciso de me organizar (e não, não tenho mil tarefas como toda a gente parece ter, ainda que não se perceba muito bem o que é que fazem na prática, tal como eu, portanto) e não sei como o fazer sem parecer um peixe num aquário, assim às voltas, com aquele ar perdido de olhos esbugalhados e a mastigar água. 

Comida

19.11.12
Já alguém fez greve de fome? Ou ficou um dia inteiro sem comer, porque sim? Como é? Eu gostava de saber, porque estou um bocado farta de achar que é aquilo que como que me vai salvar, quer seja um bolo rei inteiro para me consolar, umas barras de chocolate para ajudar a produção de serotonina, ou bagas de goji, porque diz que são boas para tudo.  Sim, eu comprei bagas de goji. E sementes de linhaça. Eu não estou boa da cabeça.

Aviso

18.11.12

Entre termos os pais à nossa espera e, depois, os filhos, há um curto espaço de tempo em que somos "donos" da nossa vida.

Desculpas

16.11.12
O Nicolau ficou em casa, porque está cheio de tosse e ontem teve febre. Pensei: pronto mais uma desculpa para ficar em casa. Mas depois decidi que não ia ceder. Não, Não e Não. Vou lá cumprir a minha obrigação nem que chovam canivetes. Começou a chover quando estava a sair de casa, mas não eram canivetes, vá. Apanhei dois autocarros, preenchi papéis, piquei o dedo, medi a tensão, entreguei o Nicolau a uma miúda simpática e dei sangue. Depois, voltei a apanhar dois autocarros, vim para casa, dei-lhe o almoço e agora dorme a sesta.
A brigada de recolha está na Escola Superior de Saúde da Cruz Vermelha, até às 14h30. Ainda podem fazer a diferença.

Começar de novo

15.11.12


A certa altura ela diz: "Estou em prisão domiciliária, não aguento mais, preciso de me reencontrar". E vai. Deixa a filha com o pai, porque ele assim o exige, e vai.

A maternidade é uma cena muito esquisita

14.11.12
A Beatriz está em casa por causa da greve e os rapazes por causa da culpa (não ficaria bem comigo própria se eles fossem, sabendo que não tenho nada assim tão importante para fazer) e eu gostava tanto, tanto de ver nisto uma oportunidade de nos divertirmos todos juntos: ir ao parque com gorros e cachecóis; fazer biscoitos e molhá-lo no chá de lúcia-lima; ler histórias embrulhados em cobertores (não é de mim, está frio, não está?); fazer construções de qualquer coisa e por aí fora. Mas passa pouco das 9h00 e um já levou com uma raquete de madeira num olho, o outro pede colo de cinco em cinco minutos e o chão da sala foi substituído por um tapete de tralha.
É muito provável que eu não tenha sido talhada para isto, para ter mais do que um filho. Pronto, já disse.

Filho único

13.11.12
O Jaime saiu com a Bea e o Nicolau e eu fiquei a preparar o Isaac, que acordou sem vontade de se levantar, para o levar à escola. Saímos os dois de mão dada, fomos tomar um café, conversámos, esperámos pelo eléctrico, demos abraços e beijos. Este menino merecia ser meu filho único mais vezes.

Sapateiras e a tentativa de um tutorial

12.11.12
A minha mais recente obsessão são as sapateiras, as de guardar sapatos, não os caranguejos, que a consulta de Imunoalergologia, no Hospital de Dona Estefânia, é só no fim do mês e eu não estou para ficar outra vez cheia de coceira e inchada que nem um balão.
Bom, obsessão é talvez um exagero, mas ando com elas na cabeça há algum tempo, porque ocorreu-me que podia usar uma para fazer um jardim vertical. Fui procurar e aqui está um DIY da coisa.
Depois, às voltas com a melhor solução para guardar os sapatos dos pequenos, concluí que só podia ser uma dessas sapateiras de pendurar e aí decidi que podia ser eu a fazê-la. Nada de novo. Novo é o que vos apresento a seguir: um tutorial para fazerem as vossas próprias sapateiras (ou uma tentativa de tutorial, vá). Sigam-me lá, então, nestes oito passos.

1.Material necessário


tesoura
alfinetes (os melhores amigos das costureiras, acreditem!)
fita métrica
linhas
cordão, ou outro material do vosso agrado
tecido com 240 x 5 cm (ou fita de viés)
1 pau com 55cm (este era um que segurava uma orquídea que já faleceu)
2 camarões (o marisco persegue-me)
3 tecidos diferentes com 95 x 30 cm (optem por bons tecidos, o que não foi o meu caso)
1 tecido resistente com 50 x 95 cm (usei ganga)
máquina de costura (não está na foto, mas é absolutamente essencial)
ferro de engomar (muito útil)

2. Coser bainhas 

Então, depois de todo o material reunido, há que sentar em frente à máquina e fazer uma bainha num dos lados de 95 cm, de cada um dos três tecidos. Para quem só teve uma ou duas aulas de costura é melhor usar os alfinetes. Eu não tenho muita paciência e já fiz demasiadas bainhas para precisar de os usar, mas posso afiançar que os alfinetes são mesmo os melhores amigos das costureiras. Evitam tantos cabelos em pé, que nem imaginam! Para fazer a bainha, façam de conta que estão a dobrar um papel: uma dobra de um centímetro, isso, e agora mais outra dobra de um centímetro (mais coisa menos coisa)

3. Dobrar bainhas 

E aqui está o nosso amigo ferro. É muito útil para um bom acabamento das coisas, ainda assim eu tendo a usá-lo com comedimento devido a ser um objecto pelo qual sinto algum desprezo. Neste caso é importante. Peguem nos tecidos com a bainha pronta (podem aproveitar para dar uma passadela nas bainhas para ficarem mais bonitas) e do outro lado façam uma dobra de um, ou dois centímetros e vinquem com o ferro. O tecido que ficar em baixo não precisa desta dobra. Ou seja, este processo é só para dois tecidos.

4 . Preparar os bolsos para os sapatos

Agora é altura de fazer as pregas e começar a ver a sapateira a formar-se. Para isso, deixar cerca de 4 cm de lado, fazer uma dobra e colocar o alfinete (lá está, são mesmo os nossos melhores amigos). 14 cm à frente fazer outra dobra para o lado contrário. Repetir o processo mais duas vezes. É possível que no fim sobre, ou falte tecido. Nesse caso revejam as dobras e o tamanho dos bolsos, mas não é preciso stressar se mesmo assim não ficarem certinhos, certinhos, ok? É para isso que há tesouras.

5. Coser os bolsos

Cá está, quase pronta e a precisar de ser acertada. Depois desse processo é preciso coser os bolsos, primeiro em baixo e depois entre as pregas. Ou seja, fazem uma costura a toda a largura e quatro em altura. 


6. Debruar


Para algumas pessoas esta pode ser a parte mais complicada, a mim, pelo menos, nem sempre corre como eu gostaria. Primeiro é necessário dobrar a fita ao meio (usar o ferro para vincar o tecido pode ser uma boa opção) e depois começar a cosê-la a todo a volta, no lado direito do trabalho. A parte de cima da sapateira fica de fora. Há técnicas para fazer as curvas, mas sinceramente nunca as percebi muito bem. O que eu faço é coser até ao fim, depois levantar o calcador e dobrar a fita, primeiro para trás (não fotografei este passo) e depois para a frente (como está ali debaixo dos meus dedos com as unhas roídas) e continuar a coser. 
A seguir vira-se o trabalho e cose-se novamente por cima da fita. O truque para ficar direitinha é tentar coser próximo da costura anterior (a que uniu a fita à sapateira).

7. Bainha de cima



Por fim, faz-se a bainha de cima com a largura suficiente para caber o pau. Nas pontas é preciso cuidado para não partir as agulhas. O melhor é deixar o pedal e rodar manualmente para rematar.

8. Pendurar na parede

Depois de colocar os camarões só falta pendurar a sapateira, colocar os cordões nas pontas e enchê-la com o que se entender: sapatos, bonecos, fraldas. 

Encadeamento de ideias

10.11.12
Li uma breve no jornal que dava conta da venda de uma pintura da célebre série Nenúfares de Claude Monet -----> No livro que acabei de ler há um capítulo inteiramente dedicado a esta obra, em que fiquei a saber que a intenção do artista não era pintar nenúfares, mas o olhar que as observa e que Monet quis que as Nymphéas ficassem dispostas - de acordo com uma sequência precisa - em oito paredes curvas -----> Nesse mesmo livro fiquei também a saber que qualquer rio, não importa onde fique nem qual seja o seu comprimento, antes de chegar ao mar, faz exactamente um caminho três vezes vírgula catorze mais comprido do que faria se fosse a direito ----->Não há nada tão tremendo como a Natureza -----> As grutas de Santo António são um bom exemplo disso mesmo -----> e a coreografia das folhas a cair das árvores, depois de uma rajada de vento, aquela rajada necessária para aquele conjunto de folhas, também.

PS1- O livro é este
PS2- Aceito sugestões de sinónimos perfeitos de rajada

Os pobres

9.11.12
No facebook, a partir daqui

E também esta crónica, de António Lobo Antunes, com mais de 20 anos.

Beijinhos de borboleta

8.11.12
Os meus dias já não são passados com uma ou duas crianças em casa. Entre as 8h00 (ou 8h45 se for eu a levá-los à escola, o que é raro) e as 16h00 não os vejo. E, espantem-se, os meus dias ainda não estão assim tão melhores. Continuo a não querer acordar de manhã; a olhar para mim ao espelho e a perguntar-me quem caralho é aquela pessoa; a roer as unhas e a arrancar peles dos lábios; a bater em castelo ódio e misturá-lo com amor, ou vice-versa; a vestir a mesma roupa quatro, ou cinco dias seguidos (calma, a roupa de dentro é sempre lavadinha), porque a roupa do dia anterior não tem aquela goma nojenta e desconfortável da roupa lavada, que me faz sentir num colete de forças; continuo a ver desfocado, mesmo com óculos, e um bocado embaciado; a querer cuspir em cima de pessoas e a depositar toda a esperança no jantar, que há muito deixou de ser um lugar pacífico, mas continua a ser o lugar de todas as esperanças e das garrafas de vinho.
No entanto, apesar de ainda não estarem assim tão melhores - os meus dias, as diferenças já se fazem sentir, assim como beijinhos de borboleta: sou mais paciente com os pequenos, vou ao supermercado com mais frequência; passo mais tempo fora de casa; cogito menos numa forma de escapar a esta vida e começo a sentir vontade de abraçar pessoas que não conheço.

Perguntas que eu gostava mesmo de saber a resposta

8.11.12
Quantos bifes comerão os filhos da Isabel Jonet?

Tudo por causa de um bolo

7.11.12
"Porque é que tens sempre de achar que aquilo que fazes não é nada de especial?", perguntou a Beatriz. "A única coisa feita por ti que te ouço dizer que é especial somos nós", disse apontando para ela e para os irmãos.
Eu fiquei boquiaberta. Não estava nada à espera de uma reacção destas à resposta sobre se o bolo de cenoura e amêndoa, o mesmo que costumo fazer sempre que decido entrar em dieta (sim, eu sei que nunca vou emagrecer), estava bom. Eu disse, pelos vistos invariavelmente, que sim, que estava bom, mas nada de especial.
Fiquei a pensar se seria mesmo assim. É que a ser, é uma cena flagrante, porque a Beatriz vive num planeta distante e para fazer um reparo destes...
Depois, lembrei-me de todos os elogios que tenho recebido sobre a minha forma de escrever aqui no blog e de como me parecem exagerados. Há gente a escrever tão melhor! e outra tanta gente a dizer coisas com tão mais interesse!
Mas um dia destes recebi um e-mail da Sónia Morais Santos, por causa de um trabalho que ela está a fazer, e a própria da SMS diz que tenho um blog "tão bem escrito". EU?!?!? E, acreditem, isto não é falsa modéstia, eu sei que sou espectacular (já o disse várias vezes) e sei que consigo dizer, de vez em quando, umas coisas acertadas e bem explicadas, mas daí a ser uma gaja que escreve MUITO bem é uma coisa que nunca esperei ouvir. Mentira, esperei, mas depois cansei-me de esperar (a minha falta de paciência também já é conhecida). Portanto, agora estou sem saber o que fazer a esta sensação de e se eu sou mesmo gaja para fazer uma coisa em condições?

Na nova casa velha

6.11.12
Na terceira semana, e ainda sem internet e televisão em casa, posso dizer que as únicas coisas a que ainda não me habituei são: o forno a gás e a banda sonora do marceneiro do rés-do-chão. O forró estou como o outro, até combina com o som da plaina dele e da minha varinha mágica, mas para a Adele não há paciência...
De resto, posso concluir definitivamente que me faz muito mais falta a internet do que a televisão.

Profissão: blogger. A sério?

5.11.12
Não fui confirmar, mas parece-me que há um padrão nas minhas "pausas" do blog (assim para efeitos de estatística, vamos considerar cinco dias sem escrever uma pausa). E, ainda sem confirmação - há que frisá-lo -, esse padrão parece estar relacionado com a obrigatoriedade de escrever, mesmo que não saiba o quê, ou para quê. Ou seja, se por qualquer motivo eu começo a sentir que devia dizer alguma coisa é certo e sabido que opto por ficar caladinha. Aliás, as pessoas inteligentes que convivem comigo já sabem que a melhor forma de me levarem a fazer coisas é fazerem-me acreditar que sou eu que as quero fazer.
Bom, mas serve esta introdução para contar que fui convidada, enquanto blogger, para uma conferência de imprensa, o que me deixou estupefacta (e na dúvida se não seria por acharem que ainda fazia alguma espécie de jornalismo) e profundamente satisfeita, uma vez que compenso a falta de vaidade no que diz respeito à aparência com uma espécie de orgulho no resto, isto é, na minha brilhante cabeça pensante. 

É claro que se fosse verdadeiramente inteligente teria noção que a minha cabeça, apesar de grande, precisa de muito óleo, que é o mesmo que dizer que deveria ser usada mais frequentemente, o que dá  algum trabalho, portanto o ideal seria apostar na aparência, mais aí teria de voltar à inteligência, porque não há paciência para ser bonita quando não se é naturalmente bela.

Mas, voltando ao convite para a conferência de imprensa posso dizê-lo, sem compromissos comerciais, porque ninguém me pagou para o dizer, que foi a IKEA que gentilmente achou por bem apresentar-me a campanha de peluches que toda a gente conhece, porque toda a gente vai, ou já foi, à IKEA. A questão que se poderá colocar, ou não, é porque é que eu aceitei o convite. 

Pois bem, eu explico:

1) Não tinha mais nada que fazer e, acreditem, a sensação de dizer em voz alta, na conjuntura da minha vida actual, "tenho uma conferência no dia 31" é quase parecida com um orgasmo;

2) O evento foi no Porto e disponibilizaram uma camioneta para levar as pessoas de Lisboa que quiseram/puderam participar. Não há como recusar tal coisa;

3) O padrinho do projecto é o Sobrinho Simões e toda a gente sabe que o Sobrinho Simões é o melhor  médico/cientista do mundo (não tenho provas, pelo que terão de confiar na minha palavra, mas posso só dizer que é o responsável por este centro, apesar de pouquíssimas pessoas falarem disso?)

De resto, olhem, se quiserem uma cusquice, porque nestas coisas tem de haver cusquices, digo eu, a Ana Borges é uma mulher bonita. É uma mulher muito bonita, porque não precisa de maquilhagens e roupas extravagantes para parecer uma gaja gira. Mesmo muito gira. Ou muito bonita, para quem faz a distinção entre gira e bonita. E se calhar estou a quebrar todas as regras das conferências de imprensa para bloggers + mais pessoas da socialite, mas, como devem calcular, estou-me a marimbar (mais ou menos, porque acabei de censurar o estou-me a cagar).

Do que nos apetece

29.10.12
Sim, talvez fosse de bom tom a Beatriz estar educada para levantar e pôr a mesa sem ser preciso pedir-lhe, ou arrumar o quarto dela sem ameaças, ou apanhar coisas do chão em vez de as empurrar para o lado. Mas os bons tons, enfim, combinam mal comigo. É óbvio que é importante ela ter noção que precisa de colaborar, que as coisas não aparecem feitas por magia e, sobretudo, que a auto-suficiência é tão importante como uma licenciatura antes de Bolonha. Mas, confesso, não consigo ficar zangada quando ela se põe a fazer um filme com fotos de família no computador em vez de arrumar o quarto. Sinto, até, uma ponta de orgulho. E, muitas vezes, recrimino-me por disparatar com ela quando estou aflita, com um no banho e o outro a atacar a despensa, enquanto ela está sentada a ler um livro, porque nada deveria ser mais importante do que ler um livro, mas, enfim, nem sempre podemos fazer o que nos apetece e também é preciso aprender isso.

Mas (e talvez eu esteja apenas a rejeitar o modelo com que fui educada) não consigo evitar educá-los a acreditar que fazer o que nos apetece não tem de ser necessariamente mau. 
Se fosse mau, hoje não me teria cruzado com um parágrafo de Moby Dick, no livro "A Terra Vista da Terra" de Seth Stevenson e recordado o que levou Chatwin a torna-se um escritor de viagens, num dos prefácios do livro "Diário de uma Médica em Moçambique ". Isto porque passei duas horas na Fnac, só porque sim (todas as Fnac têm uma sala de leitura com música clássica, como a do Chiado?). E ainda fui à biblioteca Camões ler um bocadinho da entrevista ao Manoel de Oliveira no JL. Tenho de lá voltar para ler o resto. E depois, nem de propósito, ainda dou com este post da Dora.

A Ponte de Londres Vai Cair

26.10.12
Eu gostava muito de dizer que esta brincadeira foi mesmo gira, que nos divertimos muito e tal e que eles são tão giros, que são, e eu tão espectacular, que sou, mas na verdade isto representa tão somente o desespero.  Ainda há muitas coisas pendentes na nova casa velha: prateleiras para guardar coisas na despensa sem ser a monte e fé em deus; estendal para dentro de casa, porque chove e o cesto da roupa suja veio cheio da outra casa e nesta o estendal é mais pequeno, muito mais pequeno; inventar espaço para carrinho de bebé, triciclo e cadeira para comer (esta coisa de não querermos/podermos comprar muitas coisas, tem as suas desvantagens, porque temos uma bela cadeira de plástico da Pierre Cardin, herdada de sobrinhos, que quase ocupa mais espaço que uma cama), e etc. etc. etc. Além disso, claro, as crianças estão doentes com conjuntivite e afins, desde quarta-feira.
E eu desespero. Desespero, mesmo. E sinto-me mal por isso e por ter um blog tão pessoal (se ao menos soubesse como é que não se tem um blog pessoal...), mas vou fazer o quê? Ah, sim, fazer de conta. Pois, podia fazer de conta, mas isso só mesmo com os pequenos, que merecem e precisam da fantasia.
Por isso, no meio do caos que está esta casa e a minha maravilhosa cabeça, lembrei-me de calçar sapatos aos bichos deles, depois de disputas várias pelo mesmo brinquedo, para dançarem sapateado ao som da música cujo significado me ultrapassa (mas nem tudo tem de ter um significado), "A Ponte de Londres Vai Cair". Eles acharam muita piada, naturalmente, e eu tive de repetir a cena vezes sem conta. E eram, ainda, quatro da tarde...

Sou uma pessimista cheia de optimismo

25.10.12
Sou apanhada desprevenida pelas coisas boas da vida mais frequentemente do que o contrário. Ou seja, fico sempre mais assarapantada num momento de felicidade do que de tristeza, ou desespero. Mas, apesar disso, sou uma pessoa optimista. Se não o fosse não teria tomado as opções que tomei até agora - estou sempre à espera, ou à procura, de melhor. E, por isso, estou sempre a desiludir-me.

Pornografia

24.10.12
Tenho falhado várias sessões de piscina, por razões óbvias, mas sempre que vou cruzo-me, à saída do duche,com a mesma rapariga nua. Ou melhor, cruzo-me com o cu de uma determinada rapariga, que está sempre de costas para toda a gente, debruçada, a limpar os pés, ou as pernas. Também pode estar a espalhar creme hidratante, não tenho a certeza. E penso, invariavelmente, que a mulher ou é totalmente despudorada, ou muito ingénua/inexperiente. Mas, no fundo, eu sei que o problema é este meu cérebro cheio de pensamentos porcos.

Queridas leitoras (que comentaram no post anterior)

24.10.12
Vocês são mesmo umas queridas. Acharam mesmo que a proposta de trabalho era para mim? Eu estou em casa há quase quatro anos, não tenho propostas de trabalho, quando muito recebo respostas a trabalhos propostos por mim e mesmo assim, sabe deus! Não, caríssimas, a proposta de trabalho no estrangeiro é para o Jaime, que não ficou em casa com os filhos e por isso, mas não só por isso obviamente, tem uma carreira fulgurante, enquanto eu engordo e envelheço ligeiramente frustrada e, por estes dias, tremendamente amargurada. Que é uma coisa um bocado parva e inútil, a amargura, mas as coisas são como são.

Conclusões de mais uma mudança*

23.10.12
1) sou viciada em internet, comprei uma dose que dá para 24 horas, enquanto não vêm cá montar os cabos;
2) é mais complicado gerir a cena familiar sem fogão do que sem frigorífico;
3) mas ter um bidé simplifica os banhos, quando não há água quente;
4) é cada vez mais natural para mim passar de uma casa para a outra e senti-la nossa;
5) estou a considerar deixar a maior parte das coisas nos caixotes, assim da próxima é só arrancar;
6) mas isso deve ser porque no dia em que mudámos de casa soubemos que a partir de Janeiro a casa do Porto está livre e chegou uma proposta tentadora de trabalho no estrangeiro;
7) as encruzilhadas são uma merda.

*Nem sei como é que ainda não tinha criado uma etiqueta mudanças

Aviso

21.10.12
Esqueci-me que as mudanças implicam ficar sem rede. O horror, para mim, obviamente, que vocês perdem muito pouco!

Estou quase, quase a dar razão à minha mãe*

19.10.12
Portanto, no dia mais complicado das mudanças eu estou com o período**


*Só não dou, porque tenho muitas dificuldades em acreditar que o diabo, ou quem quer que seja, se interesse pela minha vida.

** E sim, isto poderia não ser minimamente relevante se:
1) eu me conseguisse mexer sem borrar a roupa;
2) fosse capaz de manter uma conversa normal durante mais do que 15 minutos;
3) não fosse a altura em que sou gaja para dizer mais palavrões do que palavras.

Target

18.10.12
Já percebi porque é que sou imune à publicidade: quando vejo a da Sumol, aquela que passa nas salas de cinema, acredito piamente que é dirigida a mim, ou seja, sou salva pelo target.

18 de Fevereiro de 2010

18.10.12
" O Mexia diz que "Suite Dama da Noite" é um livro existencialista. A ver vamos.
Agora vou tomar banho. Tomo banho quando não sei o que me apetece fazer. Quando as opções me parecem todas demasiado difíceis, ou desajustadas. O Isaac não chora quando está no quarto de banho comigo. Por isso parece-me uma boa opção. Vou tomar banho."

Encontrado numas folhas agrafadas no meio de uns cadernos. Pouco depois da data escrita no papel comecei o blog, claro. Por isso, aproveito para dizer que estou em pânico, ainda há milhares de coisas para empacotar/arrumar...

Tréguas

17.10.12
A Beatriz anda de muletas, porque caiu-lhe um extintor em cima do pé. Ligaram-me da escola que a menina tinha de ir para o hospital, porque tinha havido um acidente e tudo em mim deixou de funcionar, a circulação sanguínea estancou, o coração parou, deixei de pestanejar, respirar, etc. Só o ouvido direito aguardava o resto da informação. Era por aí que a senhora devia ter começado o telefonema - olhe, caiu um extintor aqui na escola, a sua filha estava lá perto e levou com ele no pé, pronto, eu até me tinha rido, talvez.
Depois caí eu, de costas, de cima de uma cadeira, a tentar limpar a parte de cima de uma das portas do armário da cozinha velha da casa nova. Insultei a cadeira e voltei ao trabalho sem conseguir evitar pensar que os acidentes acontecem, mesmo, quando menos se espera.
Seja, como for, e não sei se é perceptível no meu discurso, não atribuí grande importância aos incidentes, uma vez que não resultaram em nada de muito grave, mas depois ligou-me a minha mãe e para explicar porque é que o Jaime tinha ido buscar a Beatriz, lá tive de lhe dizer que ela anda de muletas e o porquê e ela interrompe para dizer (é uma coisa que ela não consegue evitar) "só pode ser o diabo", eu decido ignorar, claro, até porque estou mais do que habituada a comentários absolutamente despropositados da parte dela, mas fiquei a pensar se haveria alguma forma de pedir educadamente ao "diabo" para me dar umas tréguas.

Muito bom

15.10.12
Sim, tudo está bem quando acaba bem. E não há sentimento que se compare a ver o nosso gajo regressar, sobretudo acompanhado da banda sonora "pai, pai, paiiiii;" e coreografia de braços estendidos, perninhas arqueadas, beijos repenicados, olhos a brilhar and so on and so on (não sei, pareceu-me bem aqui o inglês, afinal estávamos no aeroporto).
Mas, pronto, esse momento já lá vai. Agora temos o pai a recuperar do jet lag e do dia passado em casa com os dois, enquanto a mãe, bom, não tem que recuperar de nada, porque a mãe não faz nada, como se sabe. E eu até podia estar a ser irónica (que estou, é certo), mas esta é a realidade de milhares de mulheres, assim por alto. Mulheres que tratam dos filhos sozinhas e que, ao contrário de mim, trabalham para os sustentar, sozinhas. Portanto, nem vou por aí. Até porque eu, supostamente, pertenço a uma "classe" que pode (e deve) trabalhar para pagar a quem me limpe a casa, limpe o cu aos meus filhos e me limpe o cu a mim, daqui a uns anos. Mas, bom, eu pareço ser a única portuguesa que nunca esperou que um canudo fizesse a diferença por aí (e eu tinha tudo para esperar isso, mas por aqui, então, é que não vale mesmo a pena ir).
Ou seja, voltamos ao normal. E normal é bom. Não é sempre, mas algumas vezes normal é bom. Eu diria até que é muito bom.

Dia 13

13.10.12
O dia mais comprido de todos, depois da noite mais comprida de todas. Dormi sentada grande parte do tempo com o Nicolau ao colo, que ele não é a traineira que é o Isaac, quando está doente, mas só está bem no colo. Ainda durante a noite, todas as camas, menos a da Bea, que esteve sempre vazia, foram vomitadas. Mesmo assim, e apesar do meu terrível mau humor, o dia não correu mal de todo. Só não percebo porque é  que eles, os rapazes, não gostam de canja.
E, pronto, não se pode dizer que tenha corrido tudo bem, mas, ao fim e ao cabo, tudo corre bem quando acaba bem, não é assim? Que é basicamente o que vamos confirmar daqui a 18 horas, certo?
De resto, olha, não me vou pôr aqui a fazer contas para dizer que só um de nós é que sabe o que é estar 336 horas totalmente sozinha a cuidar de três filhos. Dia e noite. E metade dessas horas a cuidar de dois filhos doentes.

Dia 11

11.10.12
O Isaac está doente. O Isaac doente fica transtornado. Quase que ia ao hospital por achar que ele estava com uma apendicite aguda.
Depois da exposição recebi o telefonema da escola. Fui buscá-lo. Queria trazer os dois, mas o Nicolau dormia profundamente. Avisei que iria mais tarde do que o costume, porque teria de esperar pela Bea para ficar com o Isaac. A Bea ficou na conversa com os amigos e atrasou-se, claro, logo hoje. Nem consegui ficar preocupada, porque estava demasiado furiosa (além de ter deixado o telemóvel à mão de semear para ser roubado, ainda se esquece do que combinamos para estas duas semanas). Fui buscar o Nicolau com o Isaac. Ele lá estava, às 17h30, feliz da vida. Eu a arfar, praticamente a ter um ataque cardíaco, a não dizer coisa com coisa a todas as funcionárias da escola, e o bebé completamente relaxado, contente por nos ver. Ele é de facto raro, como dizes. Vim para casa, com o Nicolau ao colo, a empurrar o carinho com o Isaac. Acredita, eu mereço mesmo um lugar no céu (ou seja, ir ter com uma amiga a Paris, ou a Berlim).
Para o jantar fiz panados sem arroz de tomate, cozi a tal massa que chegou hoje (é boa sim senhora, Xana), e a casa ainda cheira a fritos. Houve um tempo em que esta casa tinha velas aromáticas, lembras-te? Pois, agora é levar com os fedores, pronto.
A Bea telefonou à amiga a dizer que não ia à festa, depois de me ver tão zangada. Suponho que também não deveria estar com muita vontade de ir.
Vi o "Foi Assim que Aconteceu", já não via televisão há uns dias.
Não sei como te dizer isto, mas abri A garrafa de vinho. Estava necessitada. Eu sei que compreendes.

P.S Ainda fiz esta almofada à pressa para a Bea oferecer à amiga, fã do Michael Jackson, que faz anos.

Arte

11.10.12
Quando entrei em casa e comecei a preparar o pequeno-almoço, depois de os deixar nas respectivas escolas, olhei à minha volta e decidi que não ia fazer nada do que tinha para fazer. Decidi que ia sair de casa para bem da minha sanidade mental. Enquanto tomava o pequeno-almoço fui ver à net o que havia por cá de exposições e escolhi esta. Em boa hora o fiz, porque não há nada que nos faça acreditar mais na humanidade do que a arte.
É claro que se eu percebesse um bocadinho mais de arte contemporânea, ou de artes plásticas em geral, seria bem mais interessante, ou pelo menos evitava certas figuras tristes como estar à espera que este senhor se levantasse e me pregasse um susto.
Enfim, pelo menos senti que não sou tão ignorante quanto isso, ao reconhecer trabalhos e artistas que aprecio bastante: como a Carla Filipe, o Francisco Tropa ; a Ana Vidigal; a Fernanda Fragateiro e a famosa Joana Vasconcelos. Mas o que me deixou de queixo caído, confesso, foi este vídeo do Julião Sarmento e este do Miguel Palma.
Ah, e a colecção Arpad Szenes - Vieira da Silva, claro, mas essa já tinha visto.

Dia 10 (em modo telegrama)

10.10.12
O Nicolau acordou às 4h00 e demorou a voltar a adormecer. Foi o dia em que acordámos mais tarde, 7h40, mas a Bea chegou a tempo à escola. Os rapazes ficaram bem. Tomei banho. Antes mudei a areia dos gatos. Comemos uma dourada enorme ao jantar. O Isaac fez-me apanhar peixes no ar para os pôr na água e dar-lhes milho. Os dentes do Nicolau cresceram. A Bea tem uma festa na sexta-feira. O leite de soja estragou-se. Optei por comprar pacotes dos pequenos. Estou deprimida. Há muita gente interessada no roupeiro, mas ainda não o vendi. Foram despedidas 48 pessoas do Público. Os rapazes foram dormir à hora do costume.

P.S A dourada era de aquicultura.

Perguntas que eu gostava mesmo de saber a resposta

10.10.12
Mas afinal para que é que serve guardarmos as primeiras roupinhas deles?

Até onde poderei descer mais

10.10.12
Fui levá-los à escola, tomar café e ao supermercado com a calças cheias de nódoas. E quando eu digo cheias de nódoas, estou mesmo a ser honesta. A nódoa na perna direita parece ser de café, ou leite com café, e é antiga, porque nota-se que não saiu na última lavagem. A da perna esquerda é do brufen que o Nicolau cuspiu ontem, ou antes de ontem.
Depois venho com os sacos das compras por aí fora, a parar aqui e além para descansar os braços, e apercebo-me que cheiro mal. O cabelo está preso, mas não sei se disfarça a oleosidade, suponho que não.
O aprumo excessivo, nas casas, nas pessoas, sempre me soou a falso, ou a comportamento obsessivo, mas escusava de me ter tornado numa badalhoca.

Dia 9

9.10.12
Tudo nos eixos, Jaime. O Isaac e a Bea foram para a escola, como de costume. O Nicolau foi ao médico e parece que não é nada de especial. Depois, dormiu três horas na sesta, portanto a cozinha e restantes divisões da casa estão aceitáveis.
Comemos frango da churrasqueira ao jantar e foi a melhor decisão que tomei, não só porque não tive de cozinhar, mas sobretudo pela reacção do Isaac:
- Mamã estou tão feliz!
- A sério? então, porquê?
- Porque compraste batatas fritas.

De resto, olha, chateia-me o fuso horário que nos separa e as dificuldades de comunicação. Por outro lado, ainda bem que não consigo ver-te em condições no skype, temo que se conseguisse ver os teus olhos choraria (mais do que o habitual).
Falta pouco.

P.S O Nicolau acordou às 7h00 e o Isaac às 7h30.

Vaidade

9.10.12
Eu ainda não recebi a massa Milaneza para as crianças, porque decidi dar a morada da casa nova a achar que ia lá passar a semana a limpar vidros e armários e depois tive de ficar na antiga casa, que por acaso é a que estou a habitar, sem frigorífico, mas deu-se o caso do bebé ficar doente, como já toda a gente sabe. 
Ainda assim, e para verem como me sinto importante por quererem mandar-me massa para casa, já estou a falar disso. Também já me quiseram dar dinheiro para escrever sobre determinado assunto, que recusei, por não saber como o fazer, e já convidaram as minhas crianças para um evento, que também me vi obrigada a declinar por ser no dia em que chega o meu querido rapaz grande, mas enfim, este interesse das marcas no meu blog deixa-me atarantada.
Atarantada e um bocado vaidosa, admito.

Dia 8

8.10.12
Passei a vida, ou uma minúscula parte dela, a criticar as pessoas que ficavam felizes às segunda-feiras, porque podiam finalmente respirar, sem as crianças de volta das pernas, e desesperadas em Agosto, porque as escolas estão fechadas e não há como ocupar a criançada para que os progenitores possam continuar com as suas vidas. Mas para que raio têm as pessoas filhos, afinal? Esta gente quer ter filhos para andar a despachá-los? dizia eu, a pouquíssimas pessoas, felizmente, com a minha filha única a ocupar-me a vida toda, e a dar-me cabo do juízo, porque decidi que não tinha nada que a deixar numa creche aos quatro meses só porque sim, porque tem de ser.
Pois, hoje, ao oitavo dia (quarto com os dois em casa), estou a rezar para que amanhã o Nicolau não tenha febre para poder ir para a escola. Isto de ficar sem frigorífico, que obriga a compras diárias para não estragar comida, e com um deles doente, não estava programado. E se é certo que eu vivo na ética da floresta (abreviando, ou indo directa ao assunto, que eu sei que não há tempo para ler um post daquele tamanho: "Quem vive na ética da Floresta não tem medo do caos, entende que o caos é criativo"), também é certíssimo que a minha paciência tem limites, o que seria muito normal e estaria tudo muito bem se eu não me estivesse a transformar na minha mãe, a gritar pela casa que me estão a pôr louca e velha e doente e... Logo eu, que sempre odiei isso na minha mãe, o colocar-nos o ónus do problema, quando claramente ela é que não sabia o que fazer.
Enfim, isto para dizer que foi um dia de merda - nem as varejas faltaram de volta dos pratos sujos na cozinha, depois de uma noite de merda, com o Isaac a acordar mais vezes que o Nicolau, e uma manhã diferente, digamos assim, porque deixei que a Beatriz acordasse devagar para que a ida para a escola sozinha não lhe parecesse tão pesada. Faltou à primeira aula.
A parte boa do dia: nós os três, eu e os rapazes, a dormir uma sesta fora de horas na sala. Por causa disso, deitaram-se depois das 21h00. Vamos ver a que horas acordam amanhã.

P.S Comprei almôndegas no Dia, sem olhar para os ingredientes. Não comemos sopa ao jantar.

Que grande exemplo estou dar

8.10.12
A minha filha continua a afirmar peremptoriamente que não vai ter filhos, que para ela a carreira será mais importante.

Dia 7

7.10.12
Em vários momentos do dia ocorreram-me, não em simultâneo, duas coisas: "uma semana já está, safámo-nos bem" e "isto é demais para mim".
Um senhor ofereceu bolachas aos rapazes no metro.
Tem estado um tempo primaveril em Lisboa. Preciso de algum frio, enquanto não temos outro frigorífico. Ou isso, ou começo a salgar comida.
As lulas foram para o lixo.
O Isaac cheio de sono, mas a argumentar que não queria ir dormir: "eu estou só um bocadinho cansado porque quero o pai".
O Nicolau é, agora, um ser híbrido, meio bebé, meio koala agarrado ao meu pescoço, mesmo assim a  Bea conseguiu adormecê-lo. E deu de jantar ao Isaac.
Espero pelo próximo domingo.

P.S comemos todas as bolachas de chocolate que havia.

Dia 6

6.10.12
Olha, hoje não me apetece isto, está bem? Não é novidade para ti, é um daqueles dias "deixa-me estar, não me faças perguntas, não me apetece falar?" E é injusto, eu sei, são 6h00 aí em Timor e tu vais dormir agora, 24 horas depois de acordares. 24 horas seguidas a trabalhar, mais coisa menos coisa.
Além disso já sabes o essencial: dormi com o Nicolau no colo. Fui às compras de autocarro com o Isaac, que estava felicíssimo, a Ana levou a Bea ao Tivoli (e, isto não sabes, ainda me trouxe doces); a Xis trouxe-a a casa e ficou para jantar: pataniscas de pescada e bacalhau, para aproveitar o peixe que estava no congelador (para quem não sabe, hoje vendi o frigorífico e ainda não tenho o novo), com o arroz de ervilhas do almoço e salada. Tenho de descobrir como combinar salmão com lulas para amanhã.
Deitaram-se ambos mais tarde, mas bem dispostos. A Bea está de rastos e outra coisa não seria de esperar depois de quatro horas e meia de ensaio mais 40 minutos de concerto...
O vinho que deixaste na despensa é todo bastante bom e está acabar.

Dia 5

5.10.12
Afinal é um belo de um vírus e está a fazer mais estragos. O Nicolau está febril e choroso.
Não saí de casa. Como é que aguentei tantos, tantos, tantos dias sem sair de casa, no último ano e meio, é um mistério para mim. 
A noite foi bastante aceitável, com as três interrupções costumeiras e o despertar normal, o Nicolau às 6h30 e o Isaac depois das 7.00h. 
Percebi que o Nicolau estava a chocar alguma e fiz das tripas coração para ligar à  mãe da M. para dar boleia à Bea. Ainda bem que o fiz, porque o ensaio não era no Tivoli, mas sim no Conservatório. Lá foi a pequena sozinha, depois da jardineira descongelada e aquecida. 
Não sei bem o que fizemos durante a tarde. O Isaac não dormiu a sesta e por isso esteve mal disposto grande parte do tempo, ainda assim "leu-me" histórias, foi trabalhar para Timor e andámos de tapete voador (eu a arrastar aquele caixote grande com os dois às gargalhadas em cima dele).
Não tomaram banho e decidi não insistir em dar-lhes mais do que a sopa ao jantar. Uma daquelas tigelas cheia para os dois. Eu e a Bea comemos salada de atum com feijão frade. O Pêra Doce é bom.
Antes disso vieram buscar a estante, um casal simpático e muito tímido. 
O Isaac chorou, pela primeira vez, por ti. Quando o vou deitar ele costuma dizer que quer os dois, com aquele sorriso malandro, do género eu sei que não é possível, mas hoje insistiu que queria o pai. Eu sei que isto te parte o coração, mas já sabíamos que lhe ia custar. Eu disse-lhe que não demoravas muito e ele disse "tá bem" e virou-se para o outro lado. Adormeceu, a ver-te chegar a casa e a pegar nele ao colo, imagino eu. 
O Nicolau abre a boca, para te dar beijos, de cada vez que vê a tua foto no computador. Torna-se claro que os dias começam a pesar.
Suponho que vou passar grande parte da noite com o Nicolau ao colo (hoje não consegui que adormecesse na cama). o Ben-u-ron acabou, espero que ele não tenha muita febre durante a noite, mas se tiver ainda há Brufen.
A tua mãe ligou e pediu para te mandar um beijo grande quando falasse contigo.
Estou verdadeiramente cansada. Acho que vou ver televisão antes da Duras.

Dia 4

4.10.12
Foi o dia mais estranho. A noite foi relativamente calma, levantei-me só duas vezes, mas foi preciso mudar a fralda ao Nicolau. Está com diarreia, o que não me espanta depois das porcarias que comeu (bom, foram só duas gomas e bolo de chocolate da aniversariante da sala do Isaac). Também pode ser um belo de um vírus qualquer, mas por enquanto não está fazer grande mossa.
Mas, dizia eu, foi um dia estranho. Primeiro, porque me apeteceu ficar com eles todos em casa. Ou melhor, com eles todos na nossa cama. Fazer de conta que o mundo não conta. Cheguei a medir todos os prós e contras. Ainda por cima, assim que fui buscar o Isaac, que acordou às 7h06 (isto é sempre a melhorar), ele disse-me que queria ficar em casa. Por qualquer razão, achei mais seguro jogar pelo seguro e seguir as regras.
Depois, a segunda coisa estranha (agora que penso nisso, a primeira não é nada estranha, passo a vida a querer fazer de conta que o mundo não conta): o Taxi avariou no meio da Av. Álvares Cabral. 
E a terceira, a conta da frutaria: 8.88€.
E foi isso. O resto tudo normal, acho eu, incluindo o bilhete na campainha do prédio: "Beatriz, estou na escolinha  dos meninos, numa reunião, vai lá ter connosco. Beijinhos".
A reunião depois conto, mas não poderíamos considerar homeshcooling outra vez? Eu gosto daquelas pessoas (e para mim isso é o mais importante, pelos menos no pré-escolar), e percebo as regras, mas não seria tão bom, tão bom respeitar a diferença, perceber que cada criança é uma criança? É claro que não queremos criar meninos com o rei na barriga, mas com o rei na cabeça até nem seria mau, seria? (mas para discutir este assunto é ir ao sítio do costume).
Passava das 18h00, quando acabou a primeira parte da tal reunião. Saí da sala e fui procurá-los. Estavam os três na sala verde. Cansados. Abraçaram-me ao mesmo tempo. Caguei na cena e vim para nossa casa. Eu tenho um limite no que diz respeito a seguir as regras, já sabes.
Banhei-os à vez e fiz tortilha para o jantar. 
O Nicolau foi o primeiro a dormir. Já não quer colo para adormecer. Diz adeus aos irmãos com a mãozinha pequenina e atira-se do meu colo para a cama. Adormece logo a seguir.
O Isaac passou o jantar a rodar aquela coisa de tirar a água da alface. E nestas alturas percebemos, claramente, porque é que não temos vida social, porque é que o espelho nos mostra uma pessoa com cabelos brancos e uma barriga proeminente cheia de covinhas.
É tudo muito giro e espectacular, já sabemos, mas estar à mesa com um puto que passa o jantar a rodar a bacia verde, primeiro com as duas folhas de alface que eu permiti, depois com o saca-rolhas, porque estou-me a cagar, deixa-me comer em paz e sossego e acaba o teu prato, é uma cena que pouca gente estaria disposta a assistir.
E pronto, agora dormem os dois. Vou mimar a mais velha para depois nos deitarmos juntas, como ela adora. 
Até já.

P.S continuo a receber propostas de publicidade e já não sei bem como lidar com isso. Podes apanhar um avião para me ajudar?

Antes e depois

4.10.12

Foi uma vitória sem grandes confrontos, esta da desmontagem da Expedit. Não a insultei uma única vez. Quando percebi que a coisa podia ficar mesmo complicada, se insistisse em continuar sozinha, pedi à Bea para me ajudar a deitá-la na cama e assim, com todo o cuidado e carinho, a estante voltou à forma original.
Uma lição de vida é o que é.

Dia 3

3.10.12
A melhor noite até agora: só precisei de me levantar três vezes (há muitos meses que isto não acontecia, ah?). E ainda por cima acordaram, repara, 10 minutos mais tarde. Portanto, às 6h50. Os dois ao mesmo tempo. O Isaac não comeu pão com manteiga e iogurte, como tem comido, preferiu Nestum. Por momentos pensei que ia querer a massa que estava a cozer para o almoço da Bea, mas não.
Idas e vindas da escola dentro do normal. Houve uma festa de anos e deram-me um daqueles saquinhos cheios de guloseimas. Regresso pacífico, portanto, tirando a impressão nos dentes e na consciência ao ver tanto açúcar a ser deglutido pelas crias.
Compensei a coisa com sopa de espinafres (não comeram muita, mas deu para atenuar a culpa) e frango em massa folhada.
Os maiores stresses do dia: Chegar a casa a suar, ligar o computador e não estares online quando o Isaac queria mesmo, pela primeira vez, falar contigo; receber a pessoa interessada no nosso frigorífico com o Isaac em cuecas, o Nicolau acabado de sair do banho, a panela da sopa à espera de ser passada e a roupa em cima da máquina de lavar; o momento em que estive quase, quase a ficar sem pés para desmontar a Expedit.
Parece que o Isaac levou um puxão de orelhas da C. Na escola disseram que ele estava muito "traquina e gozão" e em casa ele puxou-me uma orelha, enquanto me sussurrava com voz assustadora que não estava a brincar. Fiquei gelada. Compreendo que seja necessário, mas não deixa de ser estranho.
A minha mãe telefonou-me. Comprou uma cama articulada para a minha avó (sim, pôs a cama na sala).
Vou ver se consigo acabar de desmontar a estante com a ajuda das Bea, apesar de só faltarem 10 minutos para a hora dela ir dormir.

Dia 2

2.10.12
A noite foi daquelas más. Levantei-me não sei quantas vezes para dar não sei quantos biberões de leite e repor chupetas na boca (o Isaac queria convencer-me a sair da cama às 5h00, mas consegui demovê-lo dessa ideia).
Às 6h00 desisti, levei o Nicolau para a nossa cama, a Bea nem se apercebeu (perguntou depois se o Nicolau tinha ido para o nosso meio a meio da noite). 40 minutos depois acordou o Isaac. Apetecia-me chorar. Primeiro apeteceu-me ignorá-los, depois bater-lhes, mas no fim, quanto percebi que tinha mesmo de me levantar às 6h40, outra vez, apeteceu-me chorar.
Passado esse terrível momento, tudo pacífico. Eles acordam muitos bem dispostos, como sabes. A entrega na escola também pacífica. O Nicolau chama por ti antes de dormir, quando acorda e quando ouve algum carro a apitar. É o Isaac que lhe explica que o pai vem já, que está em Timor, mas volta depressa.
Hoje decidi ir com o carrinho para trazer o Nicolau, pelo que achei melhor levar Oreos para subornar o Isaac. Obviamente, assim que as bolachas terminaram ele pediu para ir para o carrinho.
Mais uma vez o Nicolau jantou primeiro e adormeceu pouco depois das 19h00. Comemos salmão. O Isaac comeu mais ou menos e perguntou se vinhas jantar. Deitei-o pouco antes das 21h00 e adormeceu imediatamente.
Amanhã vem cá uma pessoa ver o frigorífico e na sexta vêm buscar a estante. Espero conseguir desmontá-la.
Na segunda-feira, 8 de Outubro, há uma reunião na creche.
Tenho saudades tuas.

Dia 1

1.10.12
Dou aqui início a uma série de posts que têm como única finalidade encurtar a distância entre a nossa casa e o Jaime. Se podia fazê-lo por e-mail? Podia, mas qual era a piada?

O Nicolau acordou à 1h00 para beber leite e depois às 4h00. Daí, até às 6h00 teve aquele sono intermitente dele. Não o levei para a nossa cama, como temos feito.
O Isaac acordou, às 6h40, e chamou por ti, como habitualmente. Disse-lhe que estavas em Timor e ele exclamou "Ah, pois é!" e acrescentou: "já acordei, quero ir para a sala".
A Bea levantou-se à terceira chamada.
Estiveram sempre bem dispostos. Apanhamos o taxi, às 7h55.
Na escola, entraram os dois muito contentes, a gritar bons dias e olás. O Isaac quis ficar com a C. e despediu-se sorridente. O Nicolau foi para o colo da P. e nunca mais quis saber de mim.
Não encontrei jogadores do FCP para o bolo do Isaac, mas levei três velas azuis e brancas.
A viagem de regresso a casa foi normal, com uma variante: o Isaac pediu para fazer xixi. Ora, entre segurar no Nicolau, que viu ali uma oportunidade para se pôr a andar a sete pés, e na pila do Isaac, acabei por conseguir fazer muito mal uma das coisas. Resultado: o Isaac veio cheio de mijo para casa.
Jantamos jardineira. O Nicolau comeu primeiro, porque estava cheio de sono e por isso não jantou grande coisa. Adormeceu pelas 19h15. O Isaac só comeu a sopa. Deitou-se às 20h15 e acabou de adormecer (21h00).
A Bea acabou os TPC agora mesmo.
Eu vou beber o terceiro copo de vinho.
Espero ouvir-te, daqui a uma hora, quando fores apanhar o avião em Singapura para Timor. Pareceste-me tremendamente sexy, via skype, nesse quarto de hotel (se calhar devia ter optado pelo e-mail).

Perguntas que eu gostava mesmo de saber a resposta

1.10.12
Porque é que algumas mulheres preferem ginecologistas mulheres?

O pai foi de viagem

30.9.12
O primeiro dia da mais longa ausência do Jaime, 15 dias, começou hoje e, sinceramente, não me reconheci na pieguice pegada que para aqui foi nas despedidas. Enfim, parecia que o homem ia para a guerra, tanto que até levou o lenço bordado e tudo, ou uma coisa parecida.
Agora, são duas semanas a cuidar sozinha dos três, a empacotar as nossas coisas e a limpar a casa nova. Parece que também tenho de pôr uns electrodomésticos e uns móveis à venda no olx. A ver vamos. O importante era que os próximos dias passassem a voar.

3 anos

29.9.12






Festejámos a cinco, com comida cubana e o habitual bolo de chocolate, o número de anos redondo do Isaac. Está crescido o meu primeiro menino e é tremendamente comovente vê-lo crescer todos os dias, vislumbrar já a pessoa que está ali. 
Menos comovente foi o rasto de lama e o arroz debaixo da mesa que deixámos no restaurante, mas, bom, não se pode ter tudo.

Perspectivas

27.9.12


Ao descer em direcção à estação de metro Baixa/Chiado, o Nicolau às cavalitas do pai, feliz da vida no meio de tanta gente, e o Isaac pela minha mão, ligeiramente perturbado no meio de tanta gente, estranhei-me ali. Pareceu-me que passou uma fracção de segundo desde que deixei o Porto, a cidade onde a Beatriz nasceu e viveu até aos sete anos, vim para Lisboa, arranjei emprego, deixei o emprego, tive mais dois filhos, mudei de casa duas vezes (e vou mudar outra), fiz novos amigos.
E agora ali estava eu a contornar a Igreja do Loreto, quase a chegar ao quiosque, com um dos meus rapazinhos pela mão, na cidade onde ele nasceu e vive há quase três anos, ou há menos de uma fracção de segundo.
Já a hora e meia que passámos dentro da estação de metro, para assistir às cantorias da mais velha, pareceu-me um ano e meio. Um é porque queria vir para casa, o outro jogar badminton com a chupeta. Aquilo foi um corrupio de desce escada rolante, sobe escada rolante, desce escada rolante, sobe escada rolante, corre atrás de um, corre atrás de outro, enquanto o coro cantava, e bem, diga-se de passagem.
No final lá viemos para casa de rastos, maltrapilhos e um com o lábio rebentado, claro. Ou felizes, como se usa dizer agora.

Ocupe-se!

25.9.12
É saudável e desejável sentirmos medo, porque o medo, meus amigos e minhas amigas, pode salvar-nos a vida, mas isso já todos sabemos. E também sabemos que, apesar disso, jamais nos podemos deixar dominar por ele, porque uma vez aí, então, acabou-se. Deixamos de viver. Ponto. No meu caso específico, e não sei porque preciso de especificar que é o meu caso, quando é evidente que é disso que se trata, mas, enfim, continuemos, fico doente. Verídico. Quando sou acometida pelo medo, fico doente. Penso, agora é que vai ser, vou para a piscina, vou gozar uma espécie de férias e depois começar de novo, comprar meias. Mas se calhar o Nicolau não devia ter ido para creche, eu (ainda) não tenho um emprego que o justifique; e se nas duas semanas em que estou sozinha com os três acontece alguma coisa; se calhar temos coisas a mais para a casa mais pequena para onde vamos viver; esta cidade (este país, este mundo?) está cheia de gente desesperada, capaz de uma loucura qualquer, como o rapaz em tronco nu, ao meu lado nas escadas, aos gritos para o oficial da polícia: "EU ESTOU FARTO DESTE PAÍS DE MERDA QUE NÃO ME DÁ ALTERNATIVAS. EU SOU UMA GAJO CALMO, MAS JÁ NÃO DÁ PARA ESTAR CALMO".
Onde é que eu ia agora mesmo? Ah, ao hospital, outra vez, porque a garganta está a apertar e disseram que tinha de voltar se a garganta apertasse. Por favor, depressa senhor taxista que estou sem ar, vou desmaiar aqui se não se despacha (ainda bem que não o disse em voz alta); já no balcão admissão de doentes: são 20€, diz o rapaz giro, e eu faço contas de cabeça, com estes 20 já somei 60 euros à conta de uma estúpida reacção alérgica; E depois, depois o melhor médico de todos o tempos: "Está tudo bem consigo, não lhe vou fazer nada. Ocupe-se, não pense mais nisto".

Afinal, ainda não é esta semana que vou comprar meias

24.9.12
Pronto, terceira ida ao hospital, desta vez com beiços iguais, ou muito semelhantes, vá, aos da Angelina Jolie, e manquinha por causa dos pés inchados. Desconfia-se de umas amêijoas que comi na sexta-feira, e não, não fui a nenhuma marisqueira, ou esplanada de uma qualquer leitaria (sim, há sítios que se dizem leitarias e vendem caracóis, amêijoas e outras coisas assim, ainda não percebi porquê), cozinhei-as eu, daquelas vietnamitas que se compram congeladas, mas não há certezas, pelo que terei de fazer testes. Logo agora, que ia comprar meias.

Mal habituada

22.9.12
Uma pessoa sabe que nunca será uma doente normal quando quase chora a levar uma injecção de cortisona e dorme seis horas seguidas por causa de um anti-histamínico.

O tempo das meias

20.9.12
Preciso urgentemente de recuperar alguma futilidade, de voltar a sentir algum prazer a comprar coisas para mim. Não sei quando é que deixei de o conseguir fazer, mas a verdade é que a ideia de entrar numa loja de roupa, por exemplo, faz-me dores de cabeça. Ir a um hipermercado, então, está fora de questão, porque começo a tremer antes de lá entrar.
Acho que serão as meias a minha salvação, porque há poucas coisas que goste tanto como gosto de meias. É óbvio que também vou tricotá-las (por falar nisso, alguém sabe onde poderei arranjar uma receita para fazer meias como as da foto?), mas quero comprar outras, quero comprar meias de todos os feitios e cores, quero encher gavetas e gavetas de meias e depois fazer terapia por me ter tornado meiasaholic.